A História da Vila de Óbidos

Óbidos é uma das mais pitorescas vilas medievais portuguesas. Está localizada na chamada zona Oeste da região Centro de Portugal, distrito de Leiria. É uma vila com apenas 2.200 habitantes, vizinha de localidades como Caldas da Rainha, Peniche e Nazaré, por exemplo.

Óbidos foi inicialmente habitada pelos Romanos entre o século I a.C. e o século V d.C., seguidos dos visigodos e mais tarde dos muçulmanos após a sua entrada na Península Ibérica em 711. Em Novembro de 1147, o Rei fundador de Portugal, D. Afonso Henriques, inicia um cerco ao castelo tendo conquistado o mesmo praticamente três meses depois, em Janeiro de 1148. Esta conquista está envolta em múltiplas lendas, sendo por isso difícil definir factualmente locais de quebra da resistência ou outras características da campanha que a envolveu. Seguindo a tradição terá sido Gonçalo Mendes da Maia, conhecido como O Lidador, quem terá quebrado a resistência muçulmana. A operação, de grande simplicidade, desenvolveu-se em dois focos simultâneos, um primeiro com as manobras dilatórias de D. Afonso Henriques e um outro na Porta da Traição, por onde terá entrado Gonçalo Mendes da Maia, ao que se diz por obra e graça de uma muçulmana por si apaixonada que lhe abriu a porta, daí o nome "Porta da Traição".

D. Afonso Henriques, prosseguindo as suas conquistas, deixou em Óbidos o alcaide-mor D. Ourigo de Nourega, um valente fidalgo e esforçado guerreiro, ascendente dos Aboins. Em 1186 Óbidos passa a ser a residência do Rei D. Sancho I que veio a reformar grande parte da muralha, contribuindo ainda para o desenvolvimento e povoação do centro da Vila. Mais tarde, em 1213, foi a vez do Rei D. Afonso II ter reformado o Castelo. 

Óbidos tem ainda o título de "mui nobre e sempre leal". Este título advém de um episódio que envolveu o Conde de Bolonha, irmão de D. Sancho II, que decidiu fazer cerco à vila de Óbidos. O seu alcaide da altura, D. Fernando de Ourigues de Aboim, fidalgo e cavaleiro, juntamente como outros dois fidalgos, convocou para uma reunião no castelo todos os nobres, governadores e demais autoridades, onde, desembainhando as espadas, exortaram os convidados a ser fiéis aos seu rei. Assim o fizeram e cumpriram. 

Óbidos, talvez por ser tão uma vila tão bonita, foi sendo oferecida a diversas rainhas, tendo mesmo ficado a pertencer à Casa das Rainhas até 1834. Começou com D. Afonso II a doá-la a D. Urraca. Depois foi a vez de D. Dinis, quando este a ofereceu como prenda de casamento à sua esposa, a rainha D. Isabel de Aragão. D. Fernando ofereceu-a depois a D. Leonor Teles. D. João I, mestre de Aviz, acabou também por doá-la à rainha D. Filipa. 

Mais tarde, D. Manuel I faz a última grande reforma ao castelo, mandando colocar sobre a porta da escada o seu escudo real, ladeado por duas esferas, que ainda hoje pode ser observado. Mas não foi o último a deixar a sua marca. D. João IV, por exemplo, achou que era boa ideia colocar sobre as portas da vila uma lápide, que ainda hoje se conserva, com a inscrição: "A Virgem Nossa Senhora foi concebida sem pecado original."

O reinado de D. José não foi fácil, nem para ele, nem para Óbidos, especialmente por causa do grande terrramoto de 1755 que destruiu em grande parte o palácio do castelo, no entanto, determinou o rei que no segundo domingo de Novembro se fizesse uma solene procissão em acção de graças por ter Óbidos escapado à total destruição.

Os últimos monarcas portugueses, D. Pedro V, D. Carlos e D. Manuel, e as rainhas D. Maria Pia e D. Amélia, também estiveram muitas vezes em Óbidos. Em 1808 foi a vez de franceses e ingleses se aproximarem das muralhas de Óbidos, naquela que ficou conhecida pela grande batalha da Roliça, entre o exército anglo-luso comandado por Wellesley e o exército napoleónico comandado pelo general Laborde.

Óbidos teve um passado muito preenchido e desse passado ficaram inúmeras maravilhas para serem contempladas e usadas nos dias de hoje, seja por moradores ou pelos milhares de visitantes que recebe anualmente.

 O Castelo de Óbidos, um dos mais bem conservados em  Portugal, tem uma forma peculiar, assemelhando-se a um  ferro de engomar, como se diz na vila. No bico terá a  Torre do Facho, virada a sul. Ao norte fica o Castelo  propriamente dito, e entre este e a porta da Cerca está a  cidadela. A muralha tem de perímetro aproximadamente  1,5Km, os quais podem ser integralmente percorridos a  pé, sendo nalgumas zonas bastante alto, com 13 metros, pelo que se recomenda algum cuidado no passeio. 

Para se ter acesso ao interior, à cidadela, portanto, existem quatro portas e dois postigos; a principal, a Porta da Vila, a sul; a Porta da Talhada e a Porta da Cerca, a ponte; a Porta do Vale ou da N. Sr.ª da Graça, a Nascente, onde se venera a padroeira de Óbidos; o Postigo do Poço e o Postigo do Jogo da Bola, a nascente e poente, respectivamente.

 No centro da vila está a Igreja Matriz de Santa Maria, em frente ao  chafariz principal da vila. Esta é uma igreja de construção visigótica dos  fins do séc. VIII, no entanto o actual edificio data do século XVII, tendo  passado de igreja a mesquita e novamente a igreja. É forrada por um  dos mais belos exemplos de azulejaria portuguesa do séc. XVII, além  de belas pinturas de artistas nacionais de renome como João da Costa  e Josefa de Óbidos. Há muitos outros elementos digno de registo, como  por exemplo o crucifixo de marfim e pau-santo, com decorações  indianas, ou um soberbo túmulo renascentista.

Fora das muralhas existe ainda uma pequena capela, denominada por "Memória", erigida para assinalar o suposto local onde D. Afonso Henriques teria delineado os planos da conquista de Óbidos. Além deste monumento, existe ainda um curioso santuário, que nunca chegou a ser finalizado, mandado construir por D. João V, denominado por "Senhor da Pedra", mas onde hoje se podem assistir a fabulosos concertos de música de câmara, por exemplo, dada a sua singular acústica.